Hit makers: como se tornar tendência?

Ilustração homem criando a si mesmo diante de plateia aplaudindo para artigo sobre livro Hit Makers.

Complexa e Multifacetada

Hit makers ainda podem existir? Em um mundo saturado de informações e opções, a capacidade de criar algo que não apenas chame a atenção, mas que também se torne uma tendência, é uma arte em si, mas também contém nuances que podem ser medidas e aplicadas, se não para alcançar automaticamente o status de hit, ao menos para aumentar ao máximo nossas chances de chegar lá.

No livro “Hit Makers: Como Nascem as Tendências” de Derek Thompson, o autor busca desvendar o mistério por trás do conteúdo que se torna viral e das ideias que capturam a imaginação coletiva. Mas como podemos aplicar esses insights valiosos na prática? Busco aqui, sob o manto dos estudos de Derek, explorar as estratégias objetivas que podem ser derivadas da sabedoria de Thompson para criar produtos, ideias ou obras de arte que não apenas alcancem o sucesso, mas que também perdurem no tempo.

A jornada para se tornar um hit maker é tarefa complexa e multifacetada. Envolve entender a psicologia humana, o poder das redes sociais e a importância do timing, uma dose de sorte e uma grande intuição do que ecoa na sociedade (leitoras e leitores, no nosso caso) no momento. Também requer uma apreciação pela estética e pelo valor da narrativa. Ao longo deste artigo, vamos analisar, juntos, os conceitos-chave do livro de Thompson e discutir como eles podem ser implementados por criadores de conteúdo e artistas que aspiram a deixar sua marca no mundo.

Principais Técnicas de Hit Makers

Vamos explorar algumas das principais técnicas descritas no livro e como elas podem ser aplicadas na criação de obras de ficção literária:

  1. Fama e Familiaridade: Thompson argumenta que o sucesso muitas vezes depende da familiaridade. Na ficção, isso pode ser alcançado através de arquétipos de personagens reconhecíveis ou enredos que ecoam histórias clássicas, mas com um toque original. Escritores podem desenvolver personagens que refletem arquétipos universais, mas com peculiaridades únicas. Por exemplo, um personagem pode ser baseado no arquétipo do tipo “herói relutante”, mas talvez ele seja um botânico que ama sua profissão e as florestas, mas em um futuro próximo ele precisa enfrentar plantas que evoluíram como predadoras do animal que está impactando mais negativamente a natureza e o clima: o ser humano.
  2. A Regra “MAYA” (Most Advanced Yet Acceptable): Esta técnica sugere que o público prefere algo que é simultaneamente novo e reconhecível. Na literatura, um autor ou autora pode aplicar esta regra ao misturar gêneros ou ao introduzir conceitos inovadores em cenários familiares, desafiando os limites da ficção ao combinar elementos de diferentes gêneros, como por exemplo criando um romance policial investigando um assassinato ambientado em uma sociedade utópica onde crimes não existem e ninguém é capaz de matar. Isso cria uma sensação de novidade, mantendo uma estrutura familiar que o público reconhece e aprecia.
  3. O Poder da Repetição: A repetição pode reforçar a memorabilidade e a aceitação de um conceito. Em um romance, por exemplo, um leitmotiv recorrente ou a repetição de certos temas pode criar uma ressonância emocional profunda com o leitor, a repetição de certas frases, descrições ou temas pode atuar como um fio condutor em uma narrativa, reforçando a mensagem central e a emoção. Um exemplo seria a repetição de um sonho profético que se entrelaça com a realidade do protagonista, aumentando a tensão e o mistério.
  4. Contágio através de Redes: O sucesso de uma tendência muitas vezes se espalha através de redes sociais. Escritores podem maximizar o alcance de suas obras ao engajar leitores nas redes sociais, criando campanhas interativas ou oferecendo conteúdo exclusivo. Isso pode incluir sessões de perguntas e respostas ao vivo, concursos de fan art ou capítulos bônus.
  5. A Importância da História: Uma boa história pode impulsionar o interesse e a conexão emocional. Escritoras e escritores podem aprimorar suas histórias com reviravoltas inesperadas, personagens multidimensionais e finais que deixam os leitores refletindo. Histórias que desafiam as expectativas tendem a permanecer na memória e no coração dos leitores.
  6. Distribuição e Exposição: Ter uma estratégia de distribuição eficaz é crucial. Parcerias estratégicas com editoras e livrarias podem aumentar a visibilidade de um livro. Escritores podem também explorar o auto publicação digital, que permite um controle maior sobre o processo de distribuição e marketing.
  7. Qualidade e Sorte: Embora a qualidade seja importante, Thompson destaca que a sorte também desempenha um papel no sucesso. A persistência é chave. Escritores devem buscar feedback constante, revisar suas obras meticulosamente e aproveitar todas as oportunidades de exposição, como feiras de livros e festivais literários.
  8. Audiência da Audiência: O conceito de que os consumidores mais importantes são os amigos e seguidores dos primeiros usuários. Criar uma comunidade de leitores fiéis pode ser mais eficaz do que qualquer campanha de marketing. Escritores podem incentivar os leitores a compartilhar suas experiências com a obra, criando um efeito multiplicador que atrai novos leitores.

Aplicar os insights de Hit Makers na escrita não é garantia de sucesso, importante frisar, mas pode oferecer uma nova perspectiva sobre como criar e compartilhar seu trabalho. Ao entender o que captura a atenção e o interesse das pessoas, você pode moldar suas histórias de maneiras que ressoem com o público, com o que está acontecendo ou prestes a acontecer na sua sociedade (“prestes a acontecer” deve ser lido como algo que você sente que precisa ocorrer, não necessariamente o que todos estão dizendo que vai acontecer, pegou?) e, quem sabe, criar a próxima grande tendência literária.

Com base no livro, podemos afirmar que a chave para se tornar um Hit Maker é encontrar o equilíbrio entre inovação e tradição, qualidade e acessibilidade, individualidade e universalidade.

Factoides a posteriori

Entretanto nem tudo são flores, os críticos do livro Hit Makers argumentam que ele se baseia em uma série de factoides analisados depois que as obras analisadas (em regra norte-americanas) já eram hits, e portanto o livro não é para quem realmente busca compreender a análise científica de mercado, no caso do mercado de entretenimento. Mas o que seria isso e como nós, autores e autoras, podemos fazer uso?

A análise de mercado no setor de entretenimento é um processo complexo que envolve a compreensão de variáveis econômicas, sociais e culturais. Para escritores de ficção literária que desejam entender e navegar neste mercado, é essencial adotar uma abordagem multifacetada que combine métodos quantitativos e qualitativos.

Um plano de análise de mercado eficiente pode fornecer insights valiosos e orientar estratégias de marketing e publicação. Aqui estão algumas etapas que os escritores podem seguir para analisar o mercado literário:

  1. Definição de Objetivos: Antes de tudo, é importante definir o que você deseja alcançar com sua análise de mercado. Isso pode incluir identificar seu público-alvo, entender as tendências de gênero, ou avaliar a concorrência.
  2. Pesquisa de Público-Alvo: Compreender quem são seus leitores potenciais é crucial. Isso envolve pesquisar dados demográficos, preferências de leitura, hábitos de compra e canais de comunicação preferidos.
  3. Análise de Tendências: Fique atento às tendências atuais do mercado literário. Isso pode ser feito acompanhando listas de best-sellers, lendo publicações do setor e participando de eventos literários.
  4. Estudo da Concorrência: Analise outros autores que escrevem em gêneros semelhantes ou que têm um público-alvo parecido. Observe suas estratégias de marketing, preços, capas de livros e avaliações.
  5. Avaliação de Canais de Distribuição: Investigue diferentes canais de distribuição, como livrarias físicas, plataformas online, e-books e audiobooks. Determine quais são os mais eficazes para alcançar seu público específico.
  6. Feedback de Leitores: Colete o feedback de leitores através de resenhas, grupos de foco ou questionários. Isso pode fornecer informações diretas sobre as preferências e expectativas do seu público.
  7. Análise SWOT: Realize uma análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) para avaliar seus pontos fortes e fracos como escritor, bem como as oportunidades e ameaças no mercado.
  8. Monitoramento Contínuo: O mercado literário está sempre mudando. Mantenha-se atualizado com as novidades e ajuste seu plano conforme necessário.
  9. Networking: Construa uma rede de contatos no setor literário, incluindo outros autores, editores, agentes e profissionais de marketing. Eles podem oferecer insights valiosos e oportunidades de colaboração.
  10. Utilização de Ferramentas Digitais: Aproveite as ferramentas digitais e plataformas de análise de dados para coletar e processar informações sobre o mercado.

Este é um processo contínuo que requer atenção e adaptação constante, mas com as informações certas, os escritores podem tomar decisões informadas que beneficiarão suas carreiras a longo prazo. Algumas ferramentas podem ser bastante úteis.

Ferramentas para pesquisa de mercado criativo

Pesquisa de Mercado:
A pesquisa de mercado é o ponto de partida. Escritores podem utilizar pesquisas e questionários para coletar dados sobre preferências de leitura, hábitos de consumo e tendências emergentes. Ferramentas como o Google Forms ou o SurveyMonkey permitem criar e distribuir questionários de forma eficiente.

Análise de Dados:
Com os dados em mãos, é hora de analisá-los. Ferramentas como o SPSS ou o Excel são úteis para realizar análises estatísticas. Escritores podem identificar padrões e correlações que ajudam a entender o comportamento de suas leitoras e leitores, os consumidores de suas obras.

Estudo de Caso:
Analisar casos de sucesso e fracasso no mercado de entretenimento pode oferecer insights valiosos. Escritores podem aprender com as estratégias de marketing e posicionamento de obras similares às suas.

Ferramentas de SEO:
Para escritores que publicam online, ferramentas de SEO como o Google Analytics e o Ahrefs são cruciais para entender como os leitores encontram e interagem com seu conteúdo. Isso ajuda a otimizar a visibilidade online e a atrair um público maior.

Análise de Redes Sociais:
Plataformas como o Manycontent ou o Hootsuite permitem monitorar menções, engajamento e sentimentos relacionados a tópicos específicos. Isso é útil para entender o que ressoa com o público leitor.

Feedback Direto:
Nada substitui o feedback direto dos leitores. Escritores podem interagir com seu público em eventos, leituras e através de plataformas de mídia social para receber opiniões sinceras sobre seu trabalho.

Monitoramento de Tendências:
Ferramentas como o Google Trends e o BuzzSumo ajudam a identificar o que está em alta. Escritores podem usar essas informações para criar conteúdo relevante e oportuno.

Relatórios:
Explore relatórios como a “Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia” da PwC e da Câmara Brasileira do Livro, por exemplo, para obter insights sobre tendências, gastos de leitores e projeções.

Intuição atenta

Finalizando, fica claro que a criação de conteúdo que ressoa com o público não é uma ciência exata, mas uma arte que pode ser aprimorada com a aplicação de insights estratégicos, mas esse aprimoramento exige, como tudo que vale a pena, muito esforço e dedicação, e muita tentativa e erro, muitos erros até se conseguir a experiência necessária para despertar seu “sentido de aranha” intuitivo, e daí entender seu público e nunca subestimar o poder de uma boa história contada no momento certo e no contexto certo.

Sucesso para você e até breve!

Por Wagner RMS.

Algumas fontes consultadas para escrita deste artigo:

Hit makers: como se tornar tendência?
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